
Segundo dados divulgados pelo Centro de Previsão Climática da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) no último dia 11, as condições do El Niño já estão presentes – e há 63% de probabilidade de um fenômeno “muito forte”, que pode ser um dos maiores registrados desde 1950.
Em Araucária, os impactos podem incluir tempestades severas, vendavais intensos, chuvas de granizo, descargas elétricas e até tornados, gerando saturação do solo, quedas de barreiras, deslizamentos, enxurradas, alagamentos e inundações – graduais ou bruscas.
Diante desse cenário, a Prefeitura de Araucária, por meio da Defesa Civil, já tem tomado medidas para fortalecer a capacidade de resposta da cidade para eventos climáticos extremos. Algumas dessas ações foram apresentadas pelo coordenador do órgão, Dirley Tokarski, na reunião do secretariado desta sexta-feira (26).
Entre as iniciativas estão a atualização do Plano de Contingência Municipal, a atenção aos 15 abrigos cadastrados, reuniões intersetoriais, o alinhamento estratégico com as esferas estadual e federal da Defesa Civil, reforçar o cadastro da população para receber os alertas do órgão, reuniões com moradores de áreas de risco e aquisição de lonas.
Parte dessas ações está sendo implementada desde o início de junho, no processo de elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), realizado com o apoio técnico da empresa URBTEC seguindo as diretrizes do Ministério das Cidades e da UNOPS – Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos.
Entre os dias 30 de junho e 3 julho, por exemplo, será feito um mapeamento aéreo (utilizando drones) das áreas de risco. E entre os dias 08 e 21 de julho, serão realizadas cinco oficinas com a participação da comunidade em locais como o Parque Cachoeira e escolas municipais.
Tokarski também adiantou algumas medidas de prevenção que integram o plano, como a checagem e fixação das estruturas dos telhados, limpeza de calhas, poda preventiva e cortes de árvores, desassoreamento de rios e canais, desobstrução de galerias e bocas de lobo, limpeza de rios e coleta de lixo e aquisição de telhas – além do levantamento dos recursos disponíveis.
Riscos em Araucária
O coordenador da Defesa Civil descreveu que Araucária está exposta a dois tipos de riscos: os chamados de “geotécnicos”, associados a um volume excessivo de chuva em curto espaço de tempo, potencializando a ocorrência de deslizamentos; e os “hidrológicos”, caracterizados por alagamentos e inundações. As áreas mais sensíveis estão no Capela Velha, Campina da Barra, Guajuvira, Centro, Shangri-lá e Iguaçu, por exemplo.
“Além dos riscos para a população, não podemos negligenciar o impacto desses desastres na agricultura, setor vital para o nosso município, nem as implicações para o nosso parque industrial”, reforçou Tokarski. “Nesse sentido, temos mantido um diálogo constante com o Plano de Auxílio Mútuo (PAM), envolvendo diversas empresas, visando ao fortalecimento das ações de prevenção e o fornecimento de orientações adequadas.”
“Um fenômeno da natureza pode acontecer a qualquer momento, como esses tempos teve um tornado em São José dos Pinhais. E temos que estar preparados, ainda mais se for confirmado este El Niño mais forte. Defesa Civil não é só lona, bote e entrega de telhas. É um conjunto de ações que envolve toda a administração, para minimizar os impactos e ajudar Araucária a ser mais resiliente em situações extremas”.
