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Araucária - PR
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Mulheres em situação de violência podem recorrer à rede de proteção de Araucária

temtudoinfinity
23 de julho de 2026
Mulheres em situação de violência podem recorrer à rede de proteção de Araucária

Mulheres em situação de violência encontram em Araucária uma rede de atendimento integrada que oferece acolhimento, proteção e encaminhamento para diversos serviços públicos, contribuindo para interromper o ciclo da violência e garantir mais segurança e autonomia. Este trabalho foi destacado nesta quarta-feira (22), durante um ato simbólico realizado no Centro de Convivência da Pessoa Idosa (CCPI), em alusão ao Dia Estadual de Combate ao Feminicídio. A atividade substituiu a caminhada prevista inicialmente, cancelada devido à chuva.

O encontro reuniu representantes da Prefeitura, das polícias Civil e Militar, do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, do Legislativo e de instituições que integram a Rede de Proteção à Mulher para reforçar a importância da atuação conjunta no enfrentamento à violência.

Em Araucária, a rede funciona de forma articulada, para que a mulher receba atendimento conforme suas necessidades. O acolhimento pode envolver acompanhamento psicossocial, atendimento em saúde, proteção, orientações jurídicas e sobre o acesso a benefícios socioassistenciais, qualificação profissional e encaminhamentos para outros serviços. A integração busca oferecer uma resposta rápida e humanizada, fortalecendo a autonomia das mulheres e reduzindo os riscos de novas situações de violência.

Um exemplo dos resultados desse trabalho é a história de Cilmara Aparecida de Mello, de 43 anos. Após anos vivendo um relacionamento marcado pela violência, ela encontrou apoio na rede de proteção e conseguiu reconstruir sua vida ao lado dos dois filhos. “Eu temia pela minha vida, foi bem difícil na época. Além de ter o amparo da Patrulha Maria da Penha, fui acolhida pelo CRAM de diversas maneiras. Recebi acompanhamento psicológico, perguntaram se eu precisava de moradia e até meu primeiro estágio foi conseguido com ajuda do CRAM. Hoje me formei e estou fazendo pós-graduação. Sou muito grata. Penso em quantas mulheres não conseguem sair desse ciclo ou perdem a vida tentando”, relata.

Eficiência
Durante o evento também foram apresentados indicadores que reforçam a importância do fortalecimento das políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. Desde a criação do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM Eliane de Lima Purger), em fevereiro de 2018, nenhuma vítima de feminicídio em Araucária havia sido acompanhada pelo CRAM ou pelos serviços da rede de proteção.

Segundo a coordenadora do CRAM, Simone Eloise Vicenti, o dado não estabelece uma relação direta de causa e efeito, mas aponta um importante desafio para o poder público. “O grande desafio das políticas públicas é identificar e alcançar, de forma precoce, as mulheres que ainda permanecem invisíveis aos serviços de proteção, antes que a violência evolua para suas formas mais graves”, afirma.

A procura pelo serviço demonstra a importância desse atendimento. Em 2025, o CRAM realizou 13.721 atendimentos. Entre 1.º de janeiro e 22 de julho de 2026, já foram registrados 6.962.

O CRAM oferece atendimento psicológico e social especializado, avaliação de risco, orientações sobre direitos e segurança e constrói, junto com cada mulher, estratégias para romper o ciclo da violência. Quando necessário, também realiza encaminhamentos para atendimento jurídico, psicoterapia, qualificação profissional e oportunidades de trabalho, promovendo o acesso aos direitos e o fortalecimento da autonomia.

Patrulha Maria da Penha
Outro importante serviço da rede é a Patrulha Maria da Penha, da Secretaria Municipal de Segurança Pública (SMSP), que atualmente acompanha cerca de 1.300 medidas protetivas concedidas pela Justiça em favor de mulheres vítimas de violência.

Além de visitas presenciais e acompanhamento por telefone, conforme a necessidade de cada caso, a Patrulha fiscaliza o cumprimento das medidas protetivas e atua de forma preventiva. O município também disponibiliza o botão do pânico, dispositivo que permite o acionamento imediato da Guarda Municipal quando há risco de descumprimento da decisão judicial, possibilitando uma resposta rápida das equipes e, quando necessário, a prisão em flagrante do agressor.

Com a atuação integrada da Rede de Proteção à Mulher, Araucária fortalece as políticas públicas de enfrentamento à violência, amplia o acesso aos serviços especializados e oferece às vítimas condições para reconstruir suas vidas com mais segurança, dignidade e autonomia.