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Araucária - PR
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Polski Festiwal se consolida como marco dos 150 anos da imigração polonesa em Araucária

temtudoinfinity
10 de agosto de 2026
Polski Festiwal se consolida como marco dos 150 anos da imigração polonesa em Araucária

Trajes típicos coloridos, receitas que atravessaram gerações, músicas tradicionais, artesanato, manifestações culturais, histórias e muita alegria deram o tom ao Polski Festiwal, realizado no Parque Cachoeira entre os dias 07 e 09 de agosto. O evento, organizado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SMCT), celebrou os 150 anos da chegada dos primeiros imigrantes poloneses a Araucária com muita gastronomia, artesanato, música, dança, oficinas, lendas e apresentações culturais – e foi destaque na mídia nacional, em uma entrada ao vivo no programa É de Casa , da Rede Globo.

Nos palcos, os passos marcados, os trajes coloridos e as músicas tradicionais deram vida às apresentações dos grupos folclóricos Wisła, Junak, Wesoły Dom e Wawel, de Araucária e da Região Metropolitana de Curitiba. Por meio das coreografias, os grupos ajudam a preservar e divulgar costumes poloneses para novas gerações.

Para Wilian Ferreira, de 30 anos, integrante do grupo Wisła, de São José dos Pinhais, participar do festival foi uma oportunidade de compartilhar com o público um pouco da cultura que o grupo preserva. “Esses eventos são importantes tanto para divulgar quanto para manter viva essa cultura. Ficamos muito felizes com o convite e por ter levado um pouco do que conhecemos da Polônia para o público”, comentou o dançarino.

A música também ocupou espaço importante na programação. As bandas Coração Nativo, Bela Vista e Rodanica, além do músico Celso Taborda, apresentaram polcas, animando o público com marchas e outras músicas tradicionais da Polônia.

Gastronomia polaca
Na praça de alimentação, receitas tradicionais também aproximaram o público da terra dos imigrantes: pierogi, bigos, kielbasa e makowiec — tradicional bolo polonês preparado com sementes de papoula — dividiram espaço com broas, tortas e outros produtos coloniais.

Uma história curiosa envolve a torta de requeijão preparada pela Dom Polski Wagnérow, conhecida como Casa Wagner. A receita foi reencontrada depois de muitos anos em um antigo livro de receitas escondido atrás de uma passagem secreta no sótão da casa da bisavó da família.

Para a família, recuperar a receita também significou recuperar uma parte da história dos antepassados. “Conseguimos resgatar essa receita e agora nossos filhos também estão aprendendo a fazer. É uma maneira de homenagear a memória e de manter viva a tradição da nossa família”, resumiu o empresário Ernani Luiz Wagner da Costa.

Artesanato
Nas bancas dos artesãos, cores, símbolos e técnicas ajudaram a contar outras partes dessa história. Pêssankas — ovos decorados com motivos geométricos e elementos da natureza —, bonecas, louças, quadros, panos de prato com frases em polonês, peças com desenhos de galos, terços, mosaicos e outros trabalhos artesanais estavam sendo comercializados.

A artesã Tânia Maria André, de União da Vitória, participou do festival acompanhada do marido e apresentou trabalhos em petrykivka, tradicional pintura decorativa de origem ucraniana, marcada pelas cores vibrantes e pelos motivos florais. Sua participação também mostrou que a valorização cultural pode aproximar diferentes tradições e criar espaços de convivência entre comunidades.

“Gostamos muito dessa oportunidade de nos reunir com pessoas que apreciam essas expressões culturais, tanto na arte, como na dança e na alimentação. Fortalece os laços de amizade entre os grupos e a preservação das técnicas”, destacou a professora aposentada.

Herança cultural
Celebrar os 150 anos da imigração polonesa é reconhecer a contribuição de quem ajudou a construir Araucária, mas também compreender que essa história faz parte de uma trajetória maior.

A cultura polonesa integra a identidade do município e se soma às tantas outras etnias que, ao longo do tempo, deixaram suas marcas na cidade. Araucária foi construída pelo encontro de diferentes povos, histórias, costumes e gerações — e continua sendo.

Preservar essa herança é permitir que ela siga viva não apenas nas lembranças, mas também naquilo que se dança, se cozinha, se produz, se ensina e se compartilha. É assim que uma história que começou há 150 anos continua encontrando novos caminhos para fazer parte do presente e do futuro de Araucária.

Presenças
A cerimônia de abertura da festa contou com a presença do prefeito de Araucária, Gustavo Botogoski; da vice-cônsul no Consulado Geral da República da Polônia em Curitiba, Dorota Ortyńska; do secretário municipal de Cultura e Turismo, Gláucio Karas; da presidente nacional da Representação Central da Comunidade Brasileiro-Polonesa do Brasil (Braspol), Maria de Lourdes Kuchenny; do presidente da Câmara Municipal, vereador Pastor Eduardo Castilhos; do presidente interino da Braspol Araucária, Lucínio Leônidas Grebos; do vereador Ricardo Teixeira; e da primeira-dama e secretária municipal de Saúde, Renata Knopik Botogoski.