Polski Festiwal se consolida como marco dos 150 anos da imigração polonesa em Araucária

Trajes típicos coloridos, receitas que atravessaram gerações, músicas tradicionais, artesanato, manifestações culturais, histórias e muita alegria deram o tom ao Polski Festiwal, realizado no Parque Cachoeira entre os dias 07 e 09 de agosto. O evento, organizado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SMCT), celebrou os 150 anos da chegada dos primeiros imigrantes poloneses a Araucária com muita gastronomia, artesanato, música, dança, oficinas, lendas e apresentações culturais – e foi destaque na mídia nacional, em uma entrada ao vivo no programa É de Casa , da Rede Globo.
Nos palcos, os passos marcados, os trajes coloridos e as músicas tradicionais deram vida às apresentações dos grupos folclóricos Wisła, Junak, Wesoły Dom e Wawel, de Araucária e da Região Metropolitana de Curitiba. Por meio das coreografias, os grupos ajudam a preservar e divulgar costumes poloneses para novas gerações.
Para Wilian Ferreira, de 30 anos, integrante do grupo Wisła, de São José dos Pinhais, participar do festival foi uma oportunidade de compartilhar com o público um pouco da cultura que o grupo preserva. “Esses eventos são importantes tanto para divulgar quanto para manter viva essa cultura. Ficamos muito felizes com o convite e por ter levado um pouco do que conhecemos da Polônia para o público”, comentou o dançarino.
A música também ocupou espaço importante na programação. As bandas Coração Nativo, Bela Vista e Rodanica, além do músico Celso Taborda, apresentaram polcas, animando o público com marchas e outras músicas tradicionais da Polônia.
Gastronomia polaca
Na praça de alimentação, receitas tradicionais também aproximaram o público da terra dos imigrantes: pierogi, bigos, kielbasa e makowiec — tradicional bolo polonês preparado com sementes de papoula — dividiram espaço com broas, tortas e outros produtos coloniais.
Uma história curiosa envolve a torta de requeijão preparada pela Dom Polski Wagnérow, conhecida como Casa Wagner. A receita foi reencontrada depois de muitos anos em um antigo livro de receitas escondido atrás de uma passagem secreta no sótão da casa da bisavó da família.
Para a família, recuperar a receita também significou recuperar uma parte da história dos antepassados. “Conseguimos resgatar essa receita e agora nossos filhos também estão aprendendo a fazer. É uma maneira de homenagear a memória e de manter viva a tradição da nossa família”, resumiu o empresário Ernani Luiz Wagner da Costa.
Artesanato
Nas bancas dos artesãos, cores, símbolos e técnicas ajudaram a contar outras partes dessa história. Pêssankas — ovos decorados com motivos geométricos e elementos da natureza —, bonecas, louças, quadros, panos de prato com frases em polonês, peças com desenhos de galos, terços, mosaicos e outros trabalhos artesanais estavam sendo comercializados.
A artesã Tânia Maria André, de União da Vitória, participou do festival acompanhada do marido e apresentou trabalhos em petrykivka, tradicional pintura decorativa de origem ucraniana, marcada pelas cores vibrantes e pelos motivos florais. Sua participação também mostrou que a valorização cultural pode aproximar diferentes tradições e criar espaços de convivência entre comunidades.
“Gostamos muito dessa oportunidade de nos reunir com pessoas que apreciam essas expressões culturais, tanto na arte, como na dança e na alimentação. Fortalece os laços de amizade entre os grupos e a preservação das técnicas”, destacou a professora aposentada.
Herança cultural
Celebrar os 150 anos da imigração polonesa é reconhecer a contribuição de quem ajudou a construir Araucária, mas também compreender que essa história faz parte de uma trajetória maior.
A cultura polonesa integra a identidade do município e se soma às tantas outras etnias que, ao longo do tempo, deixaram suas marcas na cidade. Araucária foi construída pelo encontro de diferentes povos, histórias, costumes e gerações — e continua sendo.
Preservar essa herança é permitir que ela siga viva não apenas nas lembranças, mas também naquilo que se dança, se cozinha, se produz, se ensina e se compartilha. É assim que uma história que começou há 150 anos continua encontrando novos caminhos para fazer parte do presente e do futuro de Araucária.
Presenças
A cerimônia de abertura da festa contou com a presença do prefeito de Araucária, Gustavo Botogoski; da vice-cônsul no Consulado Geral da República da Polônia em Curitiba, Dorota Ortyńska; do secretário municipal de Cultura e Turismo, Gláucio Karas; da presidente nacional da Representação Central da Comunidade Brasileiro-Polonesa do Brasil (Braspol), Maria de Lourdes Kuchenny; do presidente da Câmara Municipal, vereador Pastor Eduardo Castilhos; do presidente interino da Braspol Araucária, Lucínio Leônidas Grebos; do vereador Ricardo Teixeira; e da primeira-dama e secretária municipal de Saúde, Renata Knopik Botogoski.
